O Vigilante Sanitário

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O que são Infecções Hospitalares e como evitá-las?

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Dr. Fernando Gatti de Menezes, infectologista e coordenador médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Einstein, explica o que é e como podemos combater essa ameaça.

​O que é uma infecção hospitalar?
As infecções relacionadas à assistência à saúde (conhecidas também pela sigla IRAS), antigamente chamadas de infecções hospitalares, são aquelas adquiridas após a admissão do paciente e que se manifestam durante a internação ou após a alta, quando puderem ser relacionadas aos procedimentos da assistência, seja ela hospitalar, em clínicas de diálise, instituições de longa permanência, hospital-dia ou ambulatórios de quimioterapia ou infusão de medicamentos. Quando se desconhece o período de incubação do agente etiológico e não houver evidência clínica ou dado laboratorial de infecção no momento da internação, convencionaram-se IRAS toda manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de setenta e duas horas após a admissão.

Como ela ocorre?
Estas infecções são complicações após a realização de procedimentos de assistência à saúde, quando existe alguma quebra de barreira para prevenção de infecção, como, por exemplo, passagem de cateter vesical para controle de diurese e evolução para infecção urinária associada à sonda vesical, ou passagem de acesso venoso central e evolução para infecção da corrente sanguínea associada a cateter venoso central, ou a realização de intubação oro traqueal e evolução para pneumonia associada à ventilação mecânica, ou realização de cirurgia e evolução para infecção de sítio cirúrgico.

Dois exemplos principais de quebras de barreiras para prevenção de infecção são: não adesão à higiene das mãos e não adesão ao pacote de medidas de prevenção de IRAS associada à inserção e manutenção de dispositivos invasivos.

Quais os perigos da infecção hospitalar?
As infecções relacionadas à assistência à saúde aumentam:

  • O tempo de permanência hospitalar;
  • Morbimortalidade intra-hospitalar;
  • Custo;
  • Além do risco jurídico para ações contra o hospital e subsequentes indenizações.

Vou citar alguns exemplos referentes a dados norte-americanos. Estimam-se 250.000 infecções da corrente sanguínea associadas a cateter venoso central por ano, com mortalidade atribuível de 12,5% a 25%, custo de cada tratamento em cerca de US$ 25.000,00, atingindo, no total, $296 milhões a $2.3 bilhões por ano. A pneumonia associada à assistência à saúde prolonga a permanência hospitalar entre 4 a 10 dias, com custo estimado por evento entre US$1.255 e US$ 2.863 (US$1.2 bilhões/ano no total), além de estar relacionada com maior mortalidade atribuída (7,3 – 30,3%). A infecção do trato urinário associada à sonda vesical é responsável por 15% das bacteremias intra-hospitalares e principal causa de infecção da corrente sanguínea por bacilos Gram-negativos elevando a permanência hospitalar entre 2 a 4 dias com um custo de cada tratamento estimado entre U$ 676 e 2.836 (U$ 500 milhões/ano), além de mortalidade atribuída em até 13%.

Quais os procedimentos que um hospital deve adotar para evitar infecções?
Os hospitais devem constituir os Serviços de Controle de Infecção Hospitalar que implantam programas de  prevenção e controle de infecção hospitalar, junto com as equipes multiprofissionais que trabalham dentro do hospital, desenvolvendo os pacotes de medidas de prevenção e controle. É importante, engajar todos os profissionais que são responsáveis no cuidado dos pacientes. Além disso, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar realiza a vigilância das infecções para detecção de surtos e tratativas dos mesmos para redução de dano, bem como desenvolve um programa de uso racional de antimicrobianos para o combate da multirresistência dos agentes patogênicos. Também realiza treinamentos dos profissionais de saúde para as melhores práticas de prevenção e controle de infecção, reciclando os conceitos para a manutenção da excelência na assistência.

O que os profissionais podem fazer para evitar a propagação de infecções?
A principal ação para evitarmos a propagação de infecções é simplesmente melhorando a adesão à higiene das mãos no hospital, associada ao respeito pelo profissional de saúde às recomendações de precauções padrão e específicas, como por exemplo: precaução durante o contato, precaução para gotículas e precauções aéreas. Infelizmente, surtos de infecções acontecem quando se descumprem estas simples ações com consequências desastrosas para as instituições de saúde. O cuidado com a higiene do ambiente do paciente também é muito importante para evitarmos essa disseminação e, envolve a equipe assistencial e de higiene.

O que pacientes podem fazer para evitar a propagação de infecções?
Os pacientes também são peças importantes para evitar a disseminação de infecções. Eles devem seguir as orientações dos profissionais de saúde quanto aos cuidados na manutenção dos dispositivos invasivos, por exemplo, sonda vesical de demora, cateter venoso central, etc. Além disso, os pacientes podem funcionar como verdadeiros fiscais das ações de prevenção, como por exemplo, exigindo a higiene das mãos dos profissionais de saúde nos 5 momentos da assistência (Organização Mundial de Saúde): antes do contato com o paciente, antes de procedimento asséptico, após contato com fluidos, após contato com o paciente e após contato com superfícies próximas ao paciente.

O que visitantes podem fazer para evitar a propagação de infecções?
Os visitantes podem ajudar os pacientes no entendimento das orientações dos profissionais de saúde sobre as medidas de prevenção e controle de infecção e a manutenção adequada dos dispositivos invasivos, bem como na fiscalização para a excelente adesão à higiene das mãos. Além disso, é muito importante que o visitante esteja consciente de que ele pode transmitir doenças infecciosas para o paciente durante a visita, agravando o quadro clínico. Dessa forma, o visitante não deve realizar as visitas se estiver doente, como por exemplo, resfriado ou gripe, pneumonia, conjuntivite, diarreia ou lesões de pele suspeitas.

Qual o papel do infectologista nesse processo?
É um profissional com amplo conhecimento sobre infecção tanto na comunidade como no meio hospitalar. Ele pode trabalhar desde prevenção das infecções como exposto acima, como auxiliar outros colegas médicos a escolher qual o antibiótico mais adequado e o seu tempo. Isso é importante, por que sabemos que usamos mais antibiótico do que devíamos, visto que muitas infecções não necessitam de antibiótico e o infectologista esta apto a decidir qual o melhor plano terapêutico. Parabéns a todos os infectologistas pelo dia 11 de abril!​

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Autor: O Vigilante Sanitário

Médico Veterinário Sanitarista exercendo funções na Vigilância Sanitária com atribuições de polícia administrativa na regularização e fiscalização de estabelecimentos que comercializam alimentos e congêneres na Cidade Olímpica do Rio de Janeiro.

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